Quanta dor, quanta tristeza me trespassam o coração em agonia quando vejo que somente um homem ou uma mulher sofreram e foram calados diante da incompreensão, da incapacidade de empatia. Quantos homens e mulheres ainda verterão seu sangue até que em algum momento se compreenda que o que é bom e justo não envolve sangue? Antes, considero que o justo envolva dor e sacrifício maiores que se possa imaginar – maiores por não poderem se resumir ao sacrifício de uma vida ou duas. O sacrifício que põem fim à vida é antes de tudo uma tragédia, que embora cale como honra às almas daqueles que descendem do mártir, ou que neles se inspiram, apenas anunciam alto que a ignorância venceu mais uma vez.
Se, e não sei por que me permito o uso deste “se” – mas mesmo assim o uso sem escusas-, minha presença for solicitada pelo destino em uma guerra, gostaria de saber por quem lutaria. Gostaria de poder ter a clareza das convicções que defenderia com minha vida, antes de chegar a oferecer minha morte como medalha aos meus algozes. Gostaria de saber quantos chorariam por mim, ou ainda se andaria só por algum corredor escuro antes de aceitar o fim.
Sempre acreditei que o justo seria que os homens pudessem viver e deixar viver seus semelhantes, utilizando como principio a empatia. Acredito que só isso bastaria. Qual é o homem que infringiria a outrem tamanha dor, se ao fazê-lo sentisse ele próprio o sofrimento? Quem se aventuraria a colocar em chamas os milhões que desse modo foram riscados deste mundo, seja pelo sionismo, pelo nazismo ou pelo comunismo, se as dores de suas vitimas lhes pudessem ser imediatamente revertidas?
Haveria consciência real?
Pergunto tantas coisas e sei que as respostas me vêm aos cântaros, mas sem nunca serem suficientes.
A humanidade adormece ainda, como sempre adormeceu, diante dessas incertezas e de tantas outras. Segue adiante seu curso a despeito dos que tombam ao largo. É impassível em sua obediência ao tempo, que embora não possa secar as lágrimas nem estancar o sangue, conforta os que têm a coragem de ter esperança. Consola os que acreditam em lutar pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo - mesmo que isso signifique perpetuar o ciclo do mundo.

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