Sempre achei muita ignorância, no mínimo uma pretensão às avessas essa mania nacional de achar que nossa corrupção é sempre mais negra e fétida que as que se instalam nas “câmaras de representantes populares” nas Nações “democráticas” ao redor do Globo – e sempre acreditei nisso, até porque nunca vi meus conterrâneos, a mim e a minha Terra com olhos de quem merece permanecer à margem do mundo como um país satélite, sempre e eternamente há um passo do milagre que nos lançará como o País da vez.
Pedindo a vênia necessária, transcrevo fato ocorrido nas terras da Rainha - e que fez muitos ingleses descerem das tamancas - nas palavras de Ivan Lessa:
“Corrupção em Westminster. Todo dia fazendo manchete. A Câmara, na sexta feira, chegou a ser chamada de “casa de maus costumes”, ou seja – isso mesmo – casa de tolerância. Para ser mais delicado: “malversação de verbas de gabinetes e auxílios parlamentares”, conforme a Folha de São Paulo colocou a coisa em linguagem eufemista que faria Shakespeare se roer de inveja.”
Peço perdão aos que ainda estão lendo e pensam que vou discorrer sobre a falta de vergonhas destes senhores, que como os senhores de cá, se lambuzaram, se lambuzam e continuarão ainda por muito tempo a lambuzarem-se com a res pública. Que são sem vergonhas, mau caráter e aproveitadores, não há dúvida, mas também o são muitos que não tiveram competência suficiente para serem eles os beneficiários das benesses da vida pública.
Que seja. Quando comecei a escrever falava dos brios tupiniquins, e volto agora a isso: Corrupção em casa é uma coisa, corrupção no estrangeiro é malversação de verbas públicas. Por vezes sinto que nosso país nunca teve em seu caráter aquela característica humana que faz da adolescência algo tão inusitado, e que dá virilidade aos 20 e poucos anos. Falo daquele sentimento que nos faz acreditar que não existem barreiras altas o suficiente para esmaecer nossa vontade de saber o que existe do outro lado.
Stephen King, na introdução do Pistoleiro, lembra desse tipo de ignorância branca que contamina a humanidade, quase que endemicamente. Uma vontade cega de desafiar qualquer coisa que se pareça algo interessante de ser desafiado. Aquele tipo de motivação inconseqüente que permitiu ao homem ultrapassar as barreiras não só nas ciências, mas em todas as áreas da vida humana. É essa a idade em que o homem sonha aonde quer chegar, e tem sangue, músculos e vontade suficientes para avançar e concretizar o que imaginou – como se fosse um super-homem, invencível, inquebrável, irretratável – alguém que segue adiante, e só. Logicamente, que o que se segue, no inverno e no outono da vida não é menos encantador, mas é vazio se não precedidos pelo calor desses dias de sol.
Enoja-me esses eufemismos midiáticos. São fracos, sem coragem, despojados de sua essência – onde está Folha de São Paulo a acidez que reserva aos escândalos do Planalto Central, quando falamos das Terras do Norte? Ou será que só há esse poder cáustico quando há interesses envolvidos, ou digo mais claro: quando o alvo dos ataques é o Palácio da Alvorada e seus atuais ocupantes?
Pedindo a vênia necessária, transcrevo fato ocorrido nas terras da Rainha - e que fez muitos ingleses descerem das tamancas - nas palavras de Ivan Lessa:
“Corrupção em Westminster. Todo dia fazendo manchete. A Câmara, na sexta feira, chegou a ser chamada de “casa de maus costumes”, ou seja – isso mesmo – casa de tolerância. Para ser mais delicado: “malversação de verbas de gabinetes e auxílios parlamentares”, conforme a Folha de São Paulo colocou a coisa em linguagem eufemista que faria Shakespeare se roer de inveja.”
Peço perdão aos que ainda estão lendo e pensam que vou discorrer sobre a falta de vergonhas destes senhores, que como os senhores de cá, se lambuzaram, se lambuzam e continuarão ainda por muito tempo a lambuzarem-se com a res pública. Que são sem vergonhas, mau caráter e aproveitadores, não há dúvida, mas também o são muitos que não tiveram competência suficiente para serem eles os beneficiários das benesses da vida pública.
Que seja. Quando comecei a escrever falava dos brios tupiniquins, e volto agora a isso: Corrupção em casa é uma coisa, corrupção no estrangeiro é malversação de verbas públicas. Por vezes sinto que nosso país nunca teve em seu caráter aquela característica humana que faz da adolescência algo tão inusitado, e que dá virilidade aos 20 e poucos anos. Falo daquele sentimento que nos faz acreditar que não existem barreiras altas o suficiente para esmaecer nossa vontade de saber o que existe do outro lado.
Stephen King, na introdução do Pistoleiro, lembra desse tipo de ignorância branca que contamina a humanidade, quase que endemicamente. Uma vontade cega de desafiar qualquer coisa que se pareça algo interessante de ser desafiado. Aquele tipo de motivação inconseqüente que permitiu ao homem ultrapassar as barreiras não só nas ciências, mas em todas as áreas da vida humana. É essa a idade em que o homem sonha aonde quer chegar, e tem sangue, músculos e vontade suficientes para avançar e concretizar o que imaginou – como se fosse um super-homem, invencível, inquebrável, irretratável – alguém que segue adiante, e só. Logicamente, que o que se segue, no inverno e no outono da vida não é menos encantador, mas é vazio se não precedidos pelo calor desses dias de sol.
Enoja-me esses eufemismos midiáticos. São fracos, sem coragem, despojados de sua essência – onde está Folha de São Paulo a acidez que reserva aos escândalos do Planalto Central, quando falamos das Terras do Norte? Ou será que só há esse poder cáustico quando há interesses envolvidos, ou digo mais claro: quando o alvo dos ataques é o Palácio da Alvorada e seus atuais ocupantes?


2 comentários:
Rapaz, como em muitas outras ocasiões saluto-te o brilhantismo estampado na retórica motivada por uma mente admirável. E de fato, admirada é! Ainda discordando de uma ligeira nuance, concordo com as colocações. Mesmo não lançando mão da mesma veemência assino em baixo!
Abraço!
Dr. Rafael...
És um gigante! Visão política e social mais do que necessária nos tempos do globalismo inexato e incerto!
Estou feliz demais por ter encontrado este blog!
Postar um comentário