Depois de muitos anos finalmente coloquei meus pés na Terra do Sol! Foi uma experiência interessante chegar até aqui. Saí de São Paulo a meia-noite e pousei em Recife às 2 da manhã, não que fosse 2 hoas mesmo, mas meu dia ganhou uma hora uma vez que aqui não tem o famigerado horário de verão.
Já pude conferir muitas coisas que me diziam dessas bandas - as pessoas são realmente muito legais! Cheguei na rodoviária era quase cinco da manhã - tentei ficar esperando no saguão do aeroporto o amanhecer, mas não consegui, era ansiosidade demais para aguentar lendo Dostoiévski e tomando coca.
A rodoviária da cidade me lembrou, como toda a cidade de Recife, muito minha terra Natal, Campinas. Mas isso apenas fisicamente, já no guichê da Real Alagoas as semelhanças acabaram. Tinha cerca de 6 pessoas que estavam vindo de Natal, gente que nunca tinha se visto antes na vida, discutindo se vinham de "pinga" ou se esperavam as 7 e meia da manhã para virem de expresso. Na conversa que tive com o senhor da Real Alagoas fui informado das diferenças da viagem de um e de outro:
O Expresso faz a viagem direto, sem paradas e leva cerca de 4 horas para chegar em Maceió, já o "pinga" vem parando de cidade em cidade e demora cerca de 6 horas.
Eram 5 e meia da manhã. O expresso saia apenas duas horas depois, o que pelas contas do rapaz do guichê era exatamente o tempo que teríamos de demorar a mais na estrada. Decidi sair logo, achei que estava trocando o seis por meia dúzia - ledo engano rsrs.
O ônibus chegou pontualmente, e aproveitei para tirar prova com o motorista acerca do tempo que demoararíamos na estrada -
"Ontem eu demorei sete horas pra chegar"
Sinceramente a notícia não foi muito feliz. O mais engraçado que ele ainda me deu uma dica, que na hora eu não prestei muita atenção, sobre a viagem quando comentamos que o ônibus estava vazio:
"Tá vazio agora, mas vai encher."
Pra mim, encher um ônibus de viagem sempre significou ocupar todos o s assentos e só. Duas horas depois de termos saído descobri que estava um pouco enganado. Eu havia cochilado, quando abri os olhos o ônibus estava com diversos passageiros em pé. Achei estranho mas estava cansado demais para pensar nisso, virei para o lado, tentando me acomodar no banco estreito, e dormi mais um pouquinho.
A janela estava aberta e entrava um vento bom, aliviando bastante o calor. Havia muita terra coberta de plantações do que eu - quase um agrônomo - supus ser cana de açúcar. A vista era muito agradável, com casinhas de parede branca, telha de barro e janelas azuis salpicando aqui e ali aqueles campos. Fiquei algum tempo ali, observando, agradecendo por ter nascido num país que é de fato muito bonito, de norte a sul.
Era acho que em Palmares quando abri meus olhos e realmente vi o que era andar de "pinga". De repente me veio a voz do meu tio dizendo "Não pega o 'pinga'!" rsrs Naquela hora já era tarde demais. Tinha gente saindo pelo ladrão. Por alguns instantes pensei estar dentro do Maria Luiza às seis e pouco da tarde em São Paulo. A diferença, notável, era que os passageiros estavam pagando R$ 20,00 para fazerem o percurso de pé, cheias de bagagem. Eram famílias inteiras, com vó, mãe, pai e filhos pequenos.
Fiquei muito bravo com aquilo e comentei com o rapaz do lado o absurdo que era aquilo. Foi o suficiente para que a mulher atrás de mim começasse o que poderia ser chamada de "Revolução da Estrada":
- Oxi! Manda o motorista colocar esse povo no colo!
Ao que outra pessoa completou
- Topou aqui atrás, não cabe mais ninguém! Tá topado, se o motorista quiser, ele que leve todo mundo na frente com ele!
Daí em diante as manifestações foram ficando cada vez mais calorosas e engraçadas!
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Chegando em Maceió - Parte I
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Eyes on Skies, Feets on Earth
Estive pensando na minha vida estes dias...nas histórias que gosto e nas manias que tenho. As vezes acho que é besteira escrever sobre isso, mas me sinto bem ao escrever estas coisas - minhas coisas - faço isso antes por mim, como um ato de puro egoísmo, mas que de alguma forma inexplicável faz bem a mais pessoas que somente eu.
Estava lembrando de uma cena que ficou gravada na minha mente:
Eu devia ter por volta de seis anos quando aconteceu. Não lembro de muitos detalhes, mas foi nesse dia que aprendi a olhar para o céu.
Ela estava deitada de costas e olhando para o alto, acho que era a tia Sissi. Cheguei devagar e a imitei. Lembro de olhar para aquele azul infinito, manchado em alguns cantos de branco. Fiquei ali olhando, procurando o que ela mirava - mas não tinha muita paciencia para a observação. Perguntei porque ela estava deitada.
Não me lembro o que ela respondeu. Mas o que quer que ela tenha dito mudou meu jeito de olhar para o alto.
Deitado de costas para o mundo é como desde então enfrento meus problemas. Olho para o céu, as vezes por mais de uma hora, procurando respostas, encontrando mais perguntas. Mas ainda sim me sentindo mais perto daquilo que eu sou. Existe algo no céu que eu não consigo exprimir. Apenas gosto, me sinto mais perto de casa com os olhos fitos na majestade azul.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Dorme neném, que a Cuca vem pegar!

Tenho tantos medos que se precisasse listá-los eu não o faria: diria apenas tenho medo. Assim, simples, em uma única palavra: MEDO.
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