terça-feira, 30 de setembro de 2008

Depois de Muito Tempo


Hoje, depois de muito tempo,

eu senti vontade de desistir pela última e derradeira vez.
Senti que tudo é em vão sempre e que tudo é nada...
como sempre.

Hoje a poesia da vida se desfez
e se refez um verso livre de regras e ausente de harmonia.
O suspiro que cessou deu início a outro que não cessa.

Só que este rasga enquanto o outro tinha um doce sabor...
agora é noite e a música é sentimental...

docemente triste como a vida insiste ser...
amargamente doce como as ilusões

ou os sonhos que se desfazem no ar...

tão solúvel como os suspiros...
tão eterno quanto o tempo.
(Cecília Meirelles)



É estranho ter que recorrer aos versos livres novamente. O mais estranho disso tudo, é que na liberdade destes versos é que encontro a prisão dos meus sentimentos, são nestas mesmas canções tristes que encontro o consolo da minha desolação.
É claro que a vida é boa e a alegria a única e indizível emoção (...) tenho tudo para ser feliz, mas acontece que sou triste. (Vinicius de Moraes)
Não sei mais o que dizer, talvez já tenha dito demais - disse até do que não estou certo: como poderia eu ser infeliz se nem ao menos posso descrever a felicidade?
Sinto saudades de vidas que nunca tive, é aguda a ausência dos pensamentos que ainda não tive.
Talvez eu esteja apenas bobo, precisando de um pouco deste o que que todos querem e poucos acham, ou ainda esteja apenas buscando uma razão para escrever mais algumas linhas sem muito sentido, mas repletas de alguma emoção ainda que desconhecida.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

O Enigma sem Fim



Hoje acordei pensando em escrever alguma coisa diferente, que fosse expressar como nunca antes os sentimentos que nos surgem em segredo. Mas pensei logo em seguida: não são estes sentimentos segredos? Qual é o segredo que se prese que é público? Pensei melhor e decidi: Não vou escrever nada, meus segredos são dignos do silêncio.

sábado, 6 de setembro de 2008

Saramago - Lições



O desbarato mais absurdo não é o dos bens de consumo, mas o da humanidade: milhões e milhões de seres humanos nasceram para ser trucidados pela História, milhões e milhões de pessoas que não possuíam mais do que as suas simples vidas. De pouco ela lhes iria servir, mas nunca faltou quem de tais miudezas se tivesse sabido aproveitar. A fraqueza alimenta a força, para que a força esmague a fraqueza.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

"O inimigo vencido, desarmado e pacífico deve ser sagrado para um Exército composto de homens de honra e de coração."

Hoje dia 03 de Setembro, o movimento estudantil já sem o mesmo brilho dos tempos passados - talvez pela falta de fé em doutrinas políticas carregadas de utopia - se reúne em frente ao Clube dos Militares. A ordem do dia é bradada por muitos jovens que não sentiram a mão pesada do governo militar:

TORTURA NUNCA MAIS

A mensagem é simples mais incomoda. Os que estão do lado de fora não gritam pela volta das utopias comunistas, gritam por justiça, querem expressar sua indignação com a anistia concedida aos militares. Os militares se sentem acuados: acusam os que estavam do outro lado de comunistas e terroristas.

Se fossem comunistas, que nos importa? Ter opinião política era crime, num país que na Constituição professava a fé da democracia? E o devido processo legal para chegar-se aos fatos de quem era ou não terrorista?

"POSSO FALAR? POSSO FALAR?"

Diz ele em meio aos brados de Tortura nunca mais em pouco tempo as pessoas as silenciam, afinal quem pedia era um deputado.

"O GRANDE ERRO FOI TORTURAR E NÃO MATAR."

A revolta é instantânea.

"FODAM-SE! FODAM-SE"

Assim conclui seu pronunciamento0 o excelentíssimo e nobre deputado Jair Bolsonaro, eleito pelo Partido Progressista (PP, antigo PPB) - o partido do Maluf.

Ainda estou tentando digerir, mas confesso é muito difícil.