eu senti vontade de desistir pela última e derradeira vez.
Senti que tudo é em vão sempre e que tudo é nada...
como sempre.
Hoje a poesia da vida se desfez
e se refez um verso livre de regras e ausente de harmonia.
O suspiro que cessou deu início a outro que não cessa.
Só que este rasga enquanto o outro tinha um doce sabor...
agora é noite e a música é sentimental...
docemente triste como a vida insiste ser...
amargamente doce como as ilusões
ou os sonhos que se desfazem no ar...
tão solúvel como os suspiros...
tão eterno quanto o tempo.
(Cecília Meirelles)
É estranho ter que recorrer aos versos livres novamente. O mais estranho disso tudo, é que na liberdade destes versos é que encontro a prisão dos meus sentimentos, são nestas mesmas canções tristes que encontro o consolo da minha desolação.
É claro que a vida é boa e a alegria a única e indizível emoção (...) tenho tudo para ser feliz, mas acontece que sou triste. (Vinicius de Moraes)
Não sei mais o que dizer, talvez já tenha dito demais - disse até do que não estou certo: como poderia eu ser infeliz se nem ao menos posso descrever a felicidade?
Sinto saudades de vidas que nunca tive, é aguda a ausência dos pensamentos que ainda não tive.
Talvez eu esteja apenas bobo, precisando de um pouco deste o que que todos querem e poucos acham, ou ainda esteja apenas buscando uma razão para escrever mais algumas linhas sem muito sentido, mas repletas de alguma emoção ainda que desconhecida.



