quinta-feira, 20 de março de 2008

Lula é o mesmo, mas o cenário é outro - Élio Gaspari


Élio Gaspari é um jornalista e escritor ítalo-brasileiro. No jornal a "Folha de S. Paulo", não costuma poupar o governo nem ninguém com a acidez de seus comentários. O presidente, que é geralmente chamado de Guia por ele, entrou na pauta de hoje de forma diferente. Decidi transcrever aqui o artigo.

"Bendita a cidade que ganha fama com uma palestra. Foi isso o que aconteceu com Araraquara depois que o filósofo francês Jean Paul Sartre terminou sua conferência no auditório da Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras, em setembro de 1960. Daí em diante, ela se tornou conhecida como “a Conferência de Araraquara”. Era uma época em que as pessoas iam a esses eventos de terno e gravata.

Sartre tratou de arcanas questões filosóficas e teve Jorge Amado na mesa, Fernando e Ruth Cardoso, mais Antônio Candido e Gilda de Mello e Souza na primeira fila.

Há uma semana, discursando em Araraquara, na inauguração da escola que ganhou o nome da professora Gilda, morta em dezembro passado, Nosso Guia fez um discurso que merece atenção. Foi um improviso, menor que a conferência de Sartre, mas ainda assim longo. Tem seis vezes o tamanho deste artigo e, à primeira vista, pode ser confundido com mais um Opus Lula.

Nosso Guia trocou de cenário. Ele cavalga o desempenho da economia e os avanços sociais ocorridos durante seu reinado. Não formula idéias novas, apenas arruma velhos esplendores. Lula faz isso de uma forma que seus adversários devem pensar melhor antes de continuar com uma oposição de frases feitas e CPIs para alimentar noticiário. Alguns exemplos:

Todo sacrifício que nós fizemos permitiu que a gente pudesse estar vivendo o momento que estamos vivendo hoje. (…) Hoje temos quase US$200 bilhões de reservas, não devemos nada ao FMI, não devemos nada ao Clube de Paris e não devemos nada a ninguém.”

Aqui no Brasil, pobre não tinha acesso a banco. Aliás, os bancos tinham desaprendido a atender pobre. (…) O que nós fizemos? Nós resolvemos fazer crédito para o povo pobre. (…) Criamos o crédito consignado. (…) Eu acho que a gente colocar dinheiro na mão do pobre é investimento neste país”.

Quando eu tomei posse, a indústria automobilística me procurou dizendo: ‘nós estamos quebrados’. (…) E ontem eu recebi uma carta: eles saíram de 2,2 milhões de carros e estão prometendo produzir 4 milhões de carros em 2009. Qual foi o milagre? O milagre foi uma coisa que a gente vinha dizendo há 20 anos: Com 24 meses de prestação, só pode comprar carro o setor da classe média. Se vocês quiserem que o pobre compre um carro, aumentem o número de prestações”.

Noventa e seis por cento dos acordos feitos pelos sindicatos são acordos feitos acima da inflação, com aumento real de salário”.

Este ano, nós vamos ter a primeira turma formada pelo Prouni. São 60 mil jovens que tiraram o diploma pelo Prouni e 40% desses são negros e negras”.

Nosso Guia teve até o seu “momento Obama”: “O grande desafio é acreditar que a gente pode”.

Não há um novo Lula, o que há é uma nova conjuntura. Sua falação pode ser repetitiva, mas tem duas características. Primeiro, ele não está enrolando. Depois, leva para a rua uma agenda de progresso e otimismo, deixando para a oposição o penoso exercício do mau humor. Se uma mentira, repetida mil vezes, acaba virando verdade, o que dizer de uma verdade repetida mil vezes?

O Brasil bem pensante, que até hoje procura entender a conferência de Sartre, precisa ler o discurso de Araraquara. Ele está na internet, basta passar no Google “discurso lula araraquara gilda”. Em 1960, aos 15 anos, Nosso Guia corria atrás de seu único diploma. O do Senai."



PS. Pretendo me estender no próximo post um pouco mais sobre o tema, e fazer uma retrospectiva da Guerra no Iraque, que ontem completou 5 anos. Até lá gostaria de ouvir seu pensamento à respeito.

terça-feira, 18 de março de 2008

Memética e Meméticos

Você sabe o que é um meme? Eu também não sabia até hoje à tarde. Até então eu tinha imaginado várias coisas. Primeiro pensei: meme parece algum tipo de premiação, porque sempre antes de responderem ou falarem sobre ele, os blogueiros comentam terem sido indicados por algum outro amigo da "blogosfera". Mas era estranho ainda, pensei, se é premiação deve haver algum site para isso mas ainda não vi o dito em link nenhum.
Tá, nessa altura eu já estava lembrando do Conto do Veríssimo Defenestração. Tentei assim seguir o espírito do conto e descobrir: meme deveria ser algo diferente, talvez alguma forma de carinho sabe, tipo nhém nhém nhém de namorados. Imaginem só, dois namorados cheios meme meme. Para falar a verdade até achei bonitinho, mas tinha um monte de machos se indicando pro tal meme, e acho que eles não ficariam de meme meme entre si.
Meme poderia ser algum tipo de selo, sabe daqueles que você vê em vários blogs:

"Este Blog não me sai da cabeça"
ou então, "Selo Astrobaldo de qualidade - Blog recomendado"

O selo do Meme poderia ser, "Selo meme de qualidade - esse eu indico" - mas ficou algo meio Empresas Tabajara, logo descartei.

Antes de me dar por vencido me rendi à wikipédia e li:

"Um meme, termo cunhado em 1976 por Richard Dawkins no seu bestseller controverso O Gene Egoísta, é para a memória o análogo do gene na genética, a sua unidade mínima. É considerado como uma unidade de informação que se multiplica de cérebro em cérebro, ou entre locais onde a informação é armazenada (como livros) e outros locais de armazenamento ou cérebros. No que diz respeito à sua funcionalidade, o meme é considerado uma unidade de evolução cultural que pode de alguma forma autopropagar-se. Os memes podem ser idéias ou partes de idéias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma. O estudo dos modelos evolutivos da transferência de informação é conhecido como memética.

Quando usado num contexto coloquial e não especializado, o termo meme pode significar apenas a transmissão de informação de uma mente para outra. Este uso aproxima o termo da analogia da "linguagem como vírus", afastando-o do propósito original de Dawkins, que procurava definir os memes como replicadores de comportamentos.

Ainda que tal possa surpreender alguns defensores da memética, conceitos similares ao de meme antecedem em muito a proposta de Dawkins, ocorrendo por exemplo no ensino Sufi, segundo o qual os Muwakkals são considerados como entes autónomos e elementares que constroem o pensamento humano."

Só para confirmar se o sentido era esse mesmo, resolvi perguntar:

Afinal o que é um meme?

A resposta: uma corrente que circula entre os blogueiros de plantão!

Eu ainda prefiro achar que tem mais cara de carinho, talvez não exclusivo de namorados, mas daqueles que se dá a quem se gosta e acha que merece.

Aliás, foi só descobrir o que era que fui indicado pela Ana, do "Sabor de cereja" a participar da brincadeira.

Funciona assim neste caso: preciso dizer para vocês a quinta frase da página 161 do livro mais próximo de mim. Tenho do meu lado duas edições da National Geographic, alguns códigos (Civil, Processo Civil, etc) e uma biografia do Karl Marx. Decidi pela biografia escrita por Jacques Attali - entitulada O Espírito do Mundo:

"Assim que toma conhecimento, Marx reage com violência, e nesse mesmo ano, sem o menor preparo no manejo das armas, desafia para o duelo três de seus detratores, entre eles o editor de um jornal por ele criticado."

Enfim, agora é minha vez de indicar três blogueiros que merecem receber um meme pelo talento. São eles:

A monik do Pensamento em Cores, o Bruno do Acepipes Escritos e o Tyler do Blog do Tyler.

Fui!

segunda-feira, 17 de março de 2008

Vexilla regis prodeunti Inferni

Hoje, como todo bom domingo deveria ser, me coloquei a meditar sobre minha vida e sobre muitos textos que li. Muitas gente tem pensado em suas vidas, e quase que como um Império opressor, a tristeza se abate amedrontadoramente contra todos. É como se um vento torpe de agonia soprasse contra a humanidade, eu tive a impressão de que os versos de Dante se materializavam ante meus olhos: Vexilla regis prodeunti Inferni (Avançam os estandartes do rei do Inferno...)
Porque tanto desespero? Em alguns blogs li: seria em razão da quantidade acumulada de funções que assumimos com a vida moderna, ainda em outro dizia que provavelmente a culpa é da forma com que somos obrigados a viver, como mendigos implorando à vida por misericórdia - oferecendo suor em troca de comida e dinheiro.
Quem sou eu pra responder a tamanha pergunta, apenas pude constatar o fato, que hoje é inegável - não é mais tanto os amores e paixões que levam as pessoas a molharem seus travesseiros durante a noite, as pessoas choram sem saberem a razão. Eu mesmo agradeceria se pudesse dizer que nas noites que chorei ou me encontrei em desespero fosse por alguém.
Perdoem minha pretensão, mas acredito entender até certo ponto as razões de nossa infame condição.
Perdemos nossa capacidade de sonhar, todos parecem exigir seriedade de mais. Não há mais tempo em nossas vidas ocupadas para imaginar histórias cheias de dragões, donzelas e sereias. Sabe, eu fico imaginando como seria bom se todos tivéssemos a oportunidade de por alguns momentos de nosso dia apenas parar, parar e brincar com a imaginação.
Imaginem a tristeza que leva alguém a abandonar quem ama hoje, e dizer:

So see me when your 40, lost and all alone
being comforted by strangers you'll never need to know
not sad because you lost me
but sad because you thought it was cool to be sad

(See me when you're 40 - Dido)

A incapacidade de sonhar só pode ter como companheira alguém ainda mais desprezível - o não ter esperança - para então causar o que eu vejo e todos sentimos.

O mundo clama por esperança. Porque há ainda pessoas que querem acreditar na felicidade, ter fé em coisas melhores. Ainda que as cenas do presente prenunciem maus augúrios, só poderá existir qualquer esperança se fizermos o esforço de acreditar.

Queria postar algum poema que se encaixasse e pudesse dizer o que sinto, mas ainda não encontrei. Acredito que no fim só posso dar um conselho. Sejam felizes porque podem sentir felicidade, alegrem-se e contem quantas coisas boas vocês têm.

O remédio enfim é a gratidão, e é nela que melhor se encaixam a esperança, a felicidade e os sonhos.

domingo, 16 de março de 2008

Strange Transmissions

Embalado ao som de Norah Jones aqui vou eu ^^ !

Eu sinceramente queria compartilhar um pouco do que sinto, mas de alguma forma me faltam as palavras. É dificil transmitir com letras os sentimentos, é uma arte reservada apenas a alguns poucos mortais como dom, e a menos pessoas ainda atravás de esforço, como um talento.

Na minha pouca habilidade, eu poderia descrever-me como pleno e cheio de vida, embora ainda subsista o vazio reservada à grande paixão da minha vida, parece que todo o resto está pleno, me sinto alegre, contente com o se o mundo todo fosse explodir e recriar-se em instantes numa forma ainda mais perfeita.

O mais curioso, eu diria, é estar tão plenamente satisfeito sem nem ao menos poder encontrar qualquer justificativa para tanto. O mundo está longe de reconstruir-se, e nada do que poderia ser é, mas ainda sim continuo acreditando no que pode vir a ser.

Sonho com os olhos abertos, e permito que a fantasia dos meus olhos possam manchar de cores os pesadelos da vida. Tento colocar os paradoxos como irmãos inseparáveis e comunicáveis, porque acredito que esteja na dicotomia das coisas a fonte maior da verdade e felicidade.

Nem preto nem branco - quero cinza. Nem azul nem amarelo - quero verde. Será que algum dia despertarei dos meus próprios devaneios?

Sendo honesto, não sei o que quero. Mas precisava dizer mesmo assim.

Come on, can’t I dream for one day
There’s nothing that can’t be done
But how long should it take somebody
Before they can be someone

‘Cause I know there’s got to be another level
Somewhere closer to the other side
And I’m feeling like it’s now or never
Can I break the spell of the typical

I’ve lived through my share of misfortune
And I’ve worked in the blazing sun
But how long should it take somebody
Before they can be someone

Cause I know there’s got to be another level
Somewhere closer to the other side
And I’m feeling like it’s now or never
Can I break the spell of the typical, the typical, the typical, uh huh

I'm the typical
I'm the typical
Can I break the spell of the typical

Because it’s dragging me down
I’d like to know about when
When does it all turn around

I'm just the typical
I'm just the typical

Yeah I know there’s got to be another level
Somewhere closer to the other side
And I’m feeling like it’s now or never
Can I break the spell of the typical
The typical, the typical, uh huh

Of the typical
Break the spell (of the typical)
Break the spell (of the typical)
Can I break the spell of the typical, of the typical
I'm just the typical
I'm just the typical
I'm just the typical
I'm just the typical

(Mute Math - Typical - Só dá o Play lá em baixo ^^)

sábado, 15 de março de 2008

Conversa com os leitores

Já passou da hora de escrever um pouco né?! Pois bem cá estamos nós, eu e você leitor. Acontece o seguinte, eu estava pensando...meu último post realmente foi longo (rsrs) e isso às vezes traz à tona uma doença que todos nós temos no nosso subconsciente, a preguicite, também sofro deste mal - no meu caso trata-se da variante aguda, embora muitos a tenham na forma crônica =P. Pensando nisso, portanto, cheguei a uma conclusão: vou intercalar estes posts maiores, que sinceramente creio serem os mais relevante com drops para preguiça - sim, a minha e a sua!

Não sei se vocês observaram meu calendário, mas ele é bem diferente. Na verdade já não lembro bem onde o vi pela primeira vez, mas decidi procurar um pouco pra saber a origem dele.
Uma cara, que tem hoje seus trinta e poucos anos e mora em Portland, Oregon foi quem criou a brincadeira enquanto andava de bicicleta numa viagem que fez pela Austrália. De lá pra cá ele terminou o projeto Human Calendar (e que obviamente apesar de ter nascido durante a "pedalada" só foi realizada depois de milhares de fotos de amigos na garagem) e começou um novo chamado Human Clock, e sabe o que é mais legal, qualquer um de nós pode tirar fotos segurando ou mostrando um determinado horário, de preferência em lugares abertos, e encaminhar para ele.

Eu curti muito a idéia, para quem se interessou também segue um link direto para o upload de fotos. Só não esqueçam de ler as regras ^^ !

http://www.humanclock.com/submit.php

Fui!

quarta-feira, 12 de março de 2008

Dra. Alice no país da corrupção

Topei com o texto enquanto procurava no google coisas para a iniciação científica e achei muito bom, por isso transcrevi integralmente. Espero que gostem.

"O jornal estava aberto, em cima da mesa, sob a luz de um abajur. Era o jornal matutino, que, aquela hora da noite, ainda não pudera ser tido. O resto do escritório estava na penumbra. Fora mais um dia cansativo. A dra. Alice, jovem advogada que começara sua carreira havia quatro anos, lançava os olhos distraída sobre as manchetes, com a sonolência própria de um fim de expediente.

"Governo apressa correções no 'choque'". "Vem ai novo congelamento", pensou ela. "Novo é modo de dizer: primeiro aumenta-se, depois se congela", refletiu. "IPC é usado para ampliar fraude no Rio" dizia outra manchete. "Nossa!", exclamou ela para si mesma: "Dois bilhões de dobres!" Empurrou o jornal com certo enfado. Esticou o braço e puxou um estudo sobre os impostos na nova Constituição: IPI, ICMS, Imposto sobre Importação, Imposto de Renda e outros mais. "É tributo para ninguém botar defeito", pensava. "E não obstante, não há dinheiro para pagar os débitos públicos". Ela estava só. E, no entanto, no canto da sala, alguém folheava uns papéis. Ou era como se alguém estivesse ali. Entre surpresa e receosa, resolveu investigar. De fato, na penumbra, alguém estava sentado numa poltrona. Antes que pudesse dizer alguma coisa, recebeu uma pergunta: "Agora já posso ser atendido?" O choque impediu-a de responder.

Era um senhor alto, magro, vestido com um terno que parecia lhe cair muito mal. Sobre o colo trazia uma caixa de papelão, de cabeça para baixo e sem tampa. Dra. Alice observou a caixa com grande curiosidade. "Você esta admirando a minha caixinha", disse tom amigável. "Fui eu mesmo que inventei, para guardar os PF que recebo. Sabe, os por-fora, aquele dinheiro que não entra na contabilidade pública. Está de cabeça para baixo porque assim ninguém mete a mão”. “Mas assim as coisa podem cair”, observou dra. Alice com delicadeza. "O senhor não viu que a tampa está aberta?" "Claro que vi! Mas é de propósito. É assim que fujo do ISC". E diante do olhar de interrogação da dra. Alice completou: "Imposto sobre corrupção". "Imposto sobre o quê?!" espantou-se ela. "Mas isto não existe. Nem faz sentido". "Ora, minha cara, não só existe, como faz plenamente sentido". E a explicação veio em seguida: a arrecadação estava baixando muito per causa da corrupção. E havia uma grande soma em circulação que não era tributada. Logo, nada mais razoável do que lançar-lhe um novo imposto. Aliás isto estava perfeitamente previsto na competência residual da União, conforme o artigo 154 da Constituição.


(Art. 154 - A União poderá instituir:


I - Mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam não-cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição;


II - Na iminência ou no caso deguerra externa, impostos extraordinários, compreendidos ou não em sua competência tributária, os quais serão suprimidos, gradativamente, cessadas as causas de sua criação.)


"Mas", atreveu-se a dra. Alice, "se tributarmos a corrupção praticamente a reconhecemos como legitima!" O homem não se deu por achado. "Isto é óbvio. Uma corrupção tributada deixa de ser ilegal e todos estamos tranqüilos. Aliás, é por isso que minha caixa está destampada e de cabeça para baixo". Dra. Alice não entendeu: "mas assim ela fica vazia!". Ao que o homem completou triunfante: "pois é, se nada há dentro dela, nada há a tributar". "E qual a sua vantagem?" "A vantagem, disse ele, é que tudo vai para essa segunda caixinha, a caixinha dois". Dra. Alice não se conformou: "então a corrupção continua. De algum modo burla-se o fisco". Ao que ele retrucou, alisando com carinho a outra caixinha e pondo na voz um tom de experiência com as coisas da vida: "Moça, todos nós temos uma responsabilidade diante deste país. Sem a caixinha dois, não há mais corrupção. Sem corrupção, não há o que tributar. Sem o que tributar, a arrecadação cai de novo”. Dra. Alice não entendeu. "Mas se a caixinha dois não é oferecida à tributação, fica tudo na mesma!" "E o que você pensa! Isto é uma mola propulsora da economia nacional. ISC veio por meio da emenda provisória. Enquanto não se descobre a caixinha dois, o imposto funciona. Quando todos descobrirem a segunda caixinha, faz-se outra emenda provisória. Com isso, provisoriamente, cresce o PPB, isto é, o produto provisório bruto da nação". "Mas isto é uma grande maluquice!" Dra. Alice estava inconformada. "O senhor é um cínico!" "Não, minha cara, sou um homem prático. E reconheço até que o ISC tem de ser aperfeiçoado. No momento ele incide a uma alíquota única de 10%. Pois acho que devia ser progressivo: caixinhas maiores pagariam menos e as menores, mais". Dra. Alice ousou comentar: "Mas não é o contrário: quem tem mais pega mais?" “Não, pois deste modo haveria um desestímulo à produção, isto é, à corrupção, com sérios danos para a economia".

Esta fora demais. É por isso que o país não vai para frente. Ninguém pensa nada com um mínimo de sensatez. Sua indignidade ia crescendo, quando o homem, não satisfeito, arrematou: "Você é muito jovem. Falta-lhe experiência. Nestes tempos em que os ganhos da caixinha estão congelados é necessário inventividade, muita inventividade". Neste momento, a Dra. Alice deixou cair o jornal de suas mãos e adormeceu."

Fonte: Jornal Folha de São Paulo, 21.04.89, Caderno Opinião, A-3.

TERCIO SAMPAIO FERRAZ Jr. - é professor de direito na Universidade de São Paulo e autor de diversos livros.

Um outro dia!

Hoje o dia começou muito bem, acordei atrasado, e caí praticamente vestido com a roupa que precisava para fazer o exame admissional no novo estágio. Juro que até eu fiquei impressionado com a velocidade com que me troquei! Felizmente cheguei a tempo. Aliás estes exames foram uma piada. Eu sempre tive relações tempestuosas com a balança, ainda mais quando ela tende a gritar comigo dizendo: LONTRA GORDA! Mas fazer o que? Tive que enfrentá-la, e ela não estava sozinha, estava acompanhada da temível fita que grita: Ô ANÃO, VÊ SE CRESCE! rsrs

É sério! Estava pronto pra enfrentar a realidade, a balança apontava o peso, e eu desgostoso já pensava comigo, "Caramba, já aumentou tudo isso ?!? Preciso voltar a comer mato ... fazer exercícios, URGENTE! Daqui à pouco vou ser proibido de andar de avião ou coisa do gênero" , quando a Doutora deu a informação, "desconta um quilo e meio - a calça jeans e o tênis são muito pesados". Yeah!!! Eu já pesava um quilo e meio a menos e nem tinha precisado de exercícios! Pra provar para a auxiliar que estava vendo meu peso e altura o fato, ela mandou eu tirar o tênis e pesá-lo separadamente. Bingo! 600 gramas. A filha da mãe finalmente aceitou, mas ... sim teve um mas ... não aceitando a derrota, a auxiliar se virou e disse, "tá ... mas agora tem que ver a altura dele também sem o tênis, isso muda tudo...". PORQUE ? ! ? Será que ela ficava feliz em me ver torturado? Sim, eu sei que tenho um e sessenta e quase nada, mas não precisa ser tão exata! Não com minha altura... Enfim, me diminuíram dois centímetros, mas o importante é que sou feliz (é rir pra não chorar -um dia eu cresço, vocês verão!).

Saí do exame fui pra faculdade e tive que enfrentar uma pedreira, decidi iniciar junto com outros dois amigos uma iniciação científica para decifrar (começar a decifrar) a gênese da corrupção no Brasil, e me deparei com dois problemas fenomenais. O primeiro delimitar uma área de estudo, por que o tema é um verdadeiro Oceano pela vastidão de possibilidades e o segundo, decidir que professor poderá nos ajudar.
Hoje tentamos com o professor Resende, mas ele foi o primeiro a nos impor a necessidade de delimitação do estudo, pois se queríamos nos afogar, que nos afogássemos sem ele! Hehehe - na verdade ele estava certo, no campo da filosofia, a menos que tivéssemos um autor ou uma teoria na qual basear-nos estaríamos fazendo esforço por nada. Demoradas conversas se foram e decidimos estudar a relação entre o poder instituído e sua contribuição na formação do poder paralelo. Acreditamos a principio que é onde há ausência do poder público que há o fomento de outro poder que o substitui. Esperamos receber alguma contribuição do professor Orlando Villas Boas filho (o Enciclopédia Man) amanhã e então começarmos a colocar a mão na massa!

segunda-feira, 10 de março de 2008

Cada macaco no seu galho

Eu acho que devo pedir desculpa a todos os que têm visitado meu blog! Desculpa. Explico: meus últimos posts têm sido fruto de muita preguiça, acho que esqueci por alguns momentos a real razão que me levou à frente do computador para fazer um blog. Não era apenas uma questão de entretenimento, mas para reflexão. Como nas palavras que emprestei de Clarice Lispector, “Eu queria iniciar uma experiência e não apenas ser vítima de uma experiência não autorizada por mim, apenas acontecida. Daí minha invenção de um personagem. Também quero quebrar, além do enigma do personagem, o enigma das coisas.”
Sem notar meus últimos quatro posts não tiveram a relevância, nem o trabalho necessário para fazer com que os que lessem pensassem um pouco mais, foram simples distração, e por isso o pedido de desculpas.
Na verdade durante este tempo todo pensei muita coisa que acabou não atingindo o papel. Acho que posso descrever esses meus últimos dias como se eu estivesse in a tree,

up here in my tree, yeah
newspapers matter not to me, yeah
no more crowbars to my head, yeah
i'm trading stories with the leaves instead, yeah
wave to all my friends, yeah
they don't seem to notice me, no
all their eyes trained on the street, yo, oh
sidewalk cigarettes and scenes, (tem-pted)
up here so high i start to shake
up here so high the sky i scrape
i'm so high i hold just one breath here within my chest
just like innocence
(eddie's down in his home)
(oh, the blue sky it's his home)
(eddie's blue sky home)
(oh, the blue sky it's his home)
i remember when, yeah
i swore i knew everything, oh yeah
let's say knowledge is a tree, yeah
it's growing up just like me, yeah
i'm so light the wind he shakes
i'm so high the sky i scrape
i'm so light i hold just one breath and go back to my nest
sleep with innocence...
up here so high the boughs they break
up here so high the sky i scrape
had my eyes peeled both wide open, and i got a glimpse
of my innocence... got back my inner sense...
baby got it, still got it

Espero que eu possa descer em breve dessa árvore e voltar a utilizar minhas palavras, não aguento mais emprestar as palavras dos poetas, mas afinal - quais são as palavras que nunca foram ditas?

PS. Ainda em tempo, fiz umas mudanças no player, se quiserem música ele está lá no fim da página, e fiz também alterações para quem como eu anda meio preguiçoso. Dá para ver o bonequinho ali em baixo apontando aqui pra cima? Então, pra opinar basta clicar em um dos botões - legal, chato, brilhante, confuso ou discordo ^^ ! Espero sugestões =P

Sim, Salve o REI !

Bom dia a todos! Embora eu não tenha escrito a tradicional homenagem ao dia da mulher, hoje não posso me dar ao luxo de não escrever nada. Recebi um e-mail me lembrando que esse é um dia muito importante:

"Um dia memorável ouso dizer. Aniversário daquele que contou até o infinito (duas vezes), que sozinho exterminou os dinossauros (sendo inclusive confundido com a colisão de um asteróide), que o google não se atreve a procurar, que é capaz de dividir por zero, que dorme de luz acesa pq o escuro tem medo dele, único sobrevivente de uma biribinha atômica inadvertidamente lançada por um garotinho no mundo canibal e autor de incontáveis outras façanhas..."

Sim, senhores e senhoras, hoje é aniversário de Chuck Norris! Como é muito arriscado deixar de lembrar um dia desses, sob risco de tomar um Roundhouse Kick e morrer, eu sugiro que todos ponham lembretes em seus blogs! Sim, e que ainda façamos um abaixo assinado solicitando a instituição de mais um feriado nacional em homenagem ao grande Norris!

Quem quiser pode visitar esse site http://www.chucknorris.com.br/verdades.php?p=1 - são mais de 800 curiosidades sobre o honorável ser!

Salve Chuck!!

sábado, 8 de março de 2008

Refletindo ainda sobre Guerras



Empatia -
é capacidade psicológica para se identificar com o eu de outro, conseguindo sentir o mesmo que este nas situações e circunstâncias por esse outro vivenciadas.

Antes de partir (Bucket list)

Bom dia! Eu amo madrugadas, ainda mais essas quentes ... Ironia à parte - o dia realmente foi muito bom. Foi daqueles dias que começaram de vagar, mas ganhou o tamanho certo no fim.
Não sirvo muito pra fazer crítica de filmes, para isso existem críticos rsrs. O que eu gostaria de fazer aqui é algo um pouco mais intimo, que embora possa suscitar curiosidade, é subjetivo de mais para balizar qualquer análise artística mais séria.

Dois velhos moribundos. Duas vidas vividas com afinco. São, no entanto, dois homens tão distintos entre si que dificilmente teriam suas vidas cruzadas. Mas cruzaram-se. É inebriante os deslumbres que o dinheiro do velho interpretado por Jack Nicholson permite. Ele tem o suficiente para que ambos perambulem pelos mais variados cantos da Terra - visitam as Terras do Himalaia, a França e tantos outros lugares, mas é da sabedoria de Freeman que o filme ganha seu sabor.
Seria besteira dizer que não me encantaria ter o poder que o homem rico do filme acumulou, mas eu fui colocado a pensar, de verdade, o que sonho pra minha vida? O que eu quero poder dizer que fiz quando tiver "batido as botas"?
Em determinado momento do filme Freeman ao olhar-se circundado de seus familiares, todos em festa, barulhentos como em toda boa família, me disse o que eu desejo - e o verdadeiro legado de um homem!
Quero ser pai, quero ter uma família. Essa é a única maneira de sentir-se realizado de fato, a velhice solitária é um dos fins mais tristes que posso conceber. Talvez eu nunca escale o Everest nem nunca conheça os desertos africanos. Talvez eu nunca possa chegar a cumprir meu audacioso plano, à la Che Guevara, de visitar todos os países da América do Sul - começando do Uruguai e terminando no Vale dos Reis no México - mas quero ter certeza de não deixar a Terra sem ter encontrado alguém pra dividir meus dias.
Desculpa o tom intimista, conservador até, mas quem de nós não sente uma pontinha de vontade de ver-se imortalizado em gerações futuras na lembrança de pessoas que são sangue do seu sangue? Eu sinto o maior orgulho ao relembrar histórias passadas pelos meus avós de como foi duro construir tudo o que construíram. Sou fruto de homens e mulheres valentes, só espero jamais desapontá-los, quero muito mesmo escrever e viver uma vida, que como diz Morgan Freeman no início do filme, tenha a capacidade inspirar admiração nas gerações futuras, pois concordo com ele quanto ao modo de sabermos se vivemos plenamente ou não. Assistam, vale cada centavo da entrada.

"Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação."


(Manuel Bandeira - O último poema)

sexta-feira, 7 de março de 2008

Pense bem

Escova de dentes: "As vezes eu sinto que eu tenho o pior trabalho do mundo!"
Papel Higiênico: "Tá...certo!"

Piadinha! hehehehe Não esqueça, sempre tem alguém em situação pior que a sua =P !

quinta-feira, 6 de março de 2008

Rumores de Guerra

Os dias estão passando muito rápido, acho que preciso reorganizar meus horários...ir domir as 3 ou 4 da manhã e levantar todos os dias as 3 da tarde não me parece mito saudável ! De qualquer modo, mesmo com este horário peculiar tenho tido algum tempo pra ler e pensar.

Quem me conhece vai reconhecer esse meu comentário, pois faço ele todas as vezes que preciso dizer algo sobre as confusões do dia a dia, com guerras ou rumores de guerra. Sempre que há qualquer tipo de avanço belicista, dificilmente encontramos inocentes no pólo ativo da confusão. A iniciativa pelas armas enseja, na minha opinião, a incompetência administrativa e, não raras vezes, esconde interesses nefastos.

O que aconteceu com a invasão do território equatoriano pelo Exército de Uribe não é algo inédito. Alguns meses atrás a soberania venezuelana já havia sido violada para o sequestro de um outro líder das FARC. A questão que se esconde por trás disso tudo, e que sinceramente vejo ser muito pouco discutida na mídia, é os limites que deverão ser impostos ao plano Colômbia que já injetou no Exército Colombiano cerca de U$ 4 bilhões, e permitiu que a questionável doutrina Bush de guerra contra o terror chegasse no quintal do vizinho.

Não sou nenhum ardoroso defensor das FARC, mas o moemnto que vivíamos antes do desastrado ataque era promissor. Eu ainda estou sem entender porque razão fizeram o favor de matar o elo de ligação que estava permitindo as negociações de libertação dos reféns! Porque agora ?!? Quais são os interesses escondidos por trás de atitudes como essa?

Gostaria de entender melhor, mas infelizmente meus conhecimentos sobre a cultura política da Colômbia e do Sr. Uribe não me permitem ir muito além nas minhas análises, a única certeza que tenho é que este Sr. Uribe, não é um dos homens mais limpos do mundo e que tem utilizado da mesma política que condena nas FARC, associando-se de maneira muito íntima a setores paramilitares de direita (muita gente proxima a ele foi presa em razão destas ligações) e a escória que representa o Sr. Bush.

Last stop on the westcoast line.
South of the northern border.
One small corner home tonight.
Everybody they know me there.
Don't get any second glances.
Chances are that they don't care.
Worries come undone like the changes everyday.

Change don't come at once.

There's a wave building before it breaks.
Can't wait for election day.
Where the nasty occupation.
Corporations rule the day.
Working on the pendulum throws.
Farther out to the one side swinging.
Has to sweep back the other way.
The world has come undone.
Another day and who can wait.
Change don't come at once.
It's a wave building before it breaks.
All this hope and nowhere to go.
This is how I used to feel but no more.
The world has come undone.
Like a game that you can play.

CHANGE DON'T COME FROM ONE!

terça-feira, 4 de março de 2008

Ói, olhe o mal, vem de braços e abraços com o bem num romance astral !

Todos os dias, se observarmos bem, há coisas que chamam atenção por serem realmente pitorescas. Hoje de manhã, logo após sair de uma entrevista que fiz no Veirano aconteceu uma destas cenas.
Eu estava esperando o trem na estação Berrini sentado no meio de um pilar, suando em bicas por causa do calor na casa dos 30 ºC. Antes do trem parar, eu olhei pro lado e vi um rapaz empunhando uma câmera e, de repente de uma geringonça operada por um outro homem, começou a cuspir papéis coloridos no trem! Só isso seria suficiente, mas a cena digna de um filme do Mazzaropi ainda estava apenas ganhando os contornos mais rudimentares. A estação se transformou num circo, com direito a bandinha uniformizada e tudo! Eu estava no meio do picadeiro procurando o pessoal do Pânico na TV, porque - das duas uma - ou aquilo era bagunça de programa de TV ou algum tipo de picaretagem política. Entrei no vagão e li : "Este é o primeiro trem da expansão da linha férrea" , ou algo assim. Enfim, enquanto a bandinha tocava trompete e trombone, os "puxa sacos" distribuíam sorrisos para as câmeras e eu ia em bora.
Ainda não acredito no que vi O.o ! Estou no século XXI, mas a cena foi no mínimo caricatural ... como ver isso e não imaginar o velho coronel inaugurando um poço no árido nordeste ? Tragicômica a festa do vagão. E falo isso por causa do caráter inteiramente eleitoreiro da festa, porque quem grava tudo ali não era nehuma rede de tv, mas pessoal que vai usar a imagem depois em alguma das campanhas polícas que estão por vir.

Ói, ói o trem, vem surgindo de trás das montanhas azuis, olha o trem
Ói, ói o trem, vem trazendo de longe as cinzas do velho éon

Ói, já é vem, fumegando, apitando, chamando os que sabem do trem
Ói, é o trem, não precisa passagem nem mesmo bagagem no trem

Quem vai chorar, quem vai sorrir ?
Quem vai ficar, quem vai partir ?
Pois o trem está chegando, tá chegando na estação
É o trem das sete horas, é o último do sertão, do sertão

Ói, olhe o céu, já não é o mesmo céu que você conheceu, não é mais
Vê, ói que céu, é um céu carregado e rajado, suspenso no ar

Vê, é o sinal, é o sinal das trombetas, dos anjos e dos guardiões
Ói, lá vem Deus, deslizando no céu entre brumas de mil megatons

Ói, olhe o mal, vem de braços e abraços com o bem num romance astral

Amém.

(Raúl Seixas)

domingo, 2 de março de 2008

Why don´t you find out for yourself

Olha Mari! Obrigado pelo primeiro e único comentário ^^ também acho que nos daríamos muito bem como profissionais do ócio! Estou até pensando em fazer um post só sobre isso e revelar nosso plano que levará até mesmo Einstein a revirar-se no túmulo por nunca ter sido tão genial!

Boa Noite ! É incrível como fazer nada pode ser produtivo! Eu realmente estou falando sério: fiquei a noite toda dando uma olhada em clipes dos Smiths e do Doors. Pra ser bem sincero conheço muito pouco da banda do Morrisey e do Morrison, na verdade comecei a brincadeira toda por causa da semelhança nos nomes dos vocais - e confesso - achei muito que me interessa. Tenho fascinação pela música, ela tem a capacidade de expressar o impronunciável.

Eu estava pensando na letra de uma música que recebeu interpretação magistral dos red necks que o Brandon Flowers do "The Killers" fez de Why don´t you find out for yourself (se quiserem, vale a pena conferir a música no youtube) e em algumas coisas que me aconteceram hoje.

Hoje a tarde foi o primeiro domingo de uma designação que passarei a cuidar todas as semanas às 17 horas na Igreja. Estava sentado e ouvindo a mensagem, e de repente entrou uma mulher. Ela cheirava a álcool, mas isso foi o que notei a segunda vista. A primeira vista notei que era uma senhora bastante castigada pela vida, tinha as mãos deformadas pelo trabalho (durante o tempo que passei do lado dela ela me contou que era empregada doméstica) e os cabelos bem banquinhos, pareciam nevados :) ... mas não era só isso, ela tinha desespero no olhar - procurava ajuda.

Como essa senhora quantas pessoas não estão vagando e buscando consolo. Não fizemos por aquela senhora mais que escutar, e abraçá-la - e foi exatamente o que ela precisava para estampar um largo sorriso. O álcool não teve a mesma força que um simples sorriso.

"The sanest days are mad
why don't you find out for yourself
then you'll see the price
very closely"

sábado, 1 de março de 2008

The aswer is blowin' in the wind

Senhores e senhoras, nem eu acredito que finalmente estou aqui sentado a escrever! Sabe o que é o mais interessante de tudo : a culpa é toda de um velhinho chamado Bob ^^ !
Muitas vezes tenho coisas que penso que seria interessante compartilhar (mesmo que sejam devaneios de um maluco sem sono, escrevendo às 3 da manhã), mas simplesmente guardo pra mim...mas ao ouvir a doçura e a simplicidade de uma música, que é hoje um verdadeiro hino, me arrependo por nunca ter feito nada, nem que tenha sido apenas escrever.
O velho Bob escreveu e mais que isso deixou sua marca na história cantando :

"How many roads must a man walk down
Before you call him a man?
Yes, 'n' how many seas must a white dove sail
Before she sleeps in the sand?
Yes, 'n' how many times must the cannon balls fly
Before they're forever banned?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind.

How many times must a man look up
Before he can see the sky?
Yes, 'n' how many ears must one man have
Before he can hear people cry?
Yes, 'n' how many deaths will it take till he knows
That too many people have died?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind.

How many years can a mountain exist
Before it's washed to the sea?
Yes, 'n' how many years can some people exist
Before they're allowed to be free?
Yes, 'n' how many times can a man turn his head,
Pretending he just doesn't see?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind."

Não sei (nem tenho a pretensão) se algum dia poderei ser um poeta como é Bob Dylan, mas acredito que ele merece a homenagem. A resposta, embora nem todos a percebam do mesmo modo, continua sendo soprada no vento. Embora seja algo tão simples o que deveria ser nossa vida, continuamos perdidos...teorizamos tanto a felicidade que esquecemos de vivê-la.
Sou sensivelmente bobo, e sei que muito do que sei eu jamais viverei por que tenho medo ^^ sabe o que tenho vontade de fazer hoje? (talvez isso torne mais clara a minha lenga lenga hehehe)

Tenho vontade simplesmente de sair pelo mundo, conhecendo as pessoas, ouvindo as histórias que fizeram cada lugar do mundo ganhar sua individualidade, que fizeram cada parte da Terra o lugar de um povo - e por isso - um lugar diferente. Espero conseguir, e se fizer isso que eu possa anotar nas páginas de algum livro para ser uma experiência maior, uma experiência partilhada. Preciso disso também, dividir minha história com alguém, acho que isso é que faz de nós humanos: essa vontade de construir histórias que não sejam lembradas apenas pelo vento, mas que antes disso possam ser decifradas e contadas um dia por um outro alguém,um alguém que podia te ver como aquilo que você realmente foi.

Não sei se alguém vai ler, mas se ler está convidado a voltar e me cobrar a escrever mais. Mas se ninguém ler, então eu vou te dizer uma coisa blog, eu prometo pra você que não vou deixar de escrever mesmo assim! Faço isso por que sempre quis ^^ amanhã tem mais...