quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Chegando em Maceió - Parte I

Depois de muitos anos finalmente coloquei meus pés na Terra do Sol! Foi uma experiência interessante chegar até aqui. Saí de São Paulo a meia-noite e pousei em Recife às 2 da manhã, não que fosse 2 hoas mesmo, mas meu dia ganhou uma hora uma vez que aqui não tem o famigerado horário de verão.

Já pude conferir muitas coisas que me diziam dessas bandas - as pessoas são realmente muito legais! Cheguei na rodoviária era quase cinco da manhã - tentei ficar esperando no saguão do aeroporto o amanhecer, mas não consegui, era ansiosidade demais para aguentar lendo Dostoiévski e tomando coca.

A rodoviária da cidade me lembrou, como toda a cidade de Recife, muito minha terra Natal, Campinas. Mas isso apenas fisicamente, já no guichê da Real Alagoas as semelhanças acabaram. Tinha cerca de 6 pessoas que estavam vindo de Natal, gente que nunca tinha se visto antes na vida, discutindo se vinham de "pinga" ou se esperavam as 7 e meia da manhã para virem de expresso. Na conversa que tive com o senhor da Real Alagoas fui informado das diferenças da viagem de um e de outro:

O Expresso faz a viagem direto, sem paradas e leva cerca de 4 horas para chegar em Maceió, já o "pinga" vem parando de cidade em cidade e demora cerca de 6 horas.

Eram 5 e meia da manhã. O expresso saia apenas duas horas depois, o que pelas contas do rapaz do guichê era exatamente o tempo que teríamos de demorar a mais na estrada. Decidi sair logo, achei que estava trocando o seis por meia dúzia - ledo engano rsrs.

O ônibus chegou pontualmente, e aproveitei para tirar prova com o motorista acerca do tempo que demoararíamos na estrada -

"Ontem eu demorei sete horas pra chegar"

Sinceramente a notícia não foi muito feliz. O mais engraçado que ele ainda me deu uma dica, que na hora eu não prestei muita atenção, sobre a viagem quando comentamos que o ônibus estava vazio:

"Tá vazio agora, mas vai encher."

Pra mim, encher um ônibus de viagem sempre significou ocupar todos o s assentos e só. Duas horas depois de termos saído descobri que estava um pouco enganado. Eu havia cochilado, quando abri os olhos o ônibus estava com diversos passageiros em pé. Achei estranho mas estava cansado demais para pensar nisso, virei para o lado, tentando me acomodar no banco estreito, e dormi mais um pouquinho.

A janela estava aberta e entrava um vento bom, aliviando bastante o calor. Havia muita terra coberta de plantações do que eu - quase um agrônomo - supus ser cana de açúcar. A vista era muito agradável, com casinhas de parede branca, telha de barro e janelas azuis salpicando aqui e ali aqueles campos. Fiquei algum tempo ali, observando, agradecendo por ter nascido num país que é de fato muito bonito, de norte a sul.

Era acho que em Palmares quando abri meus olhos e realmente vi o que era andar de "pinga". De repente me veio a voz do meu tio dizendo "Não pega o 'pinga'!" rsrs Naquela hora já era tarde demais. Tinha gente saindo pelo ladrão. Por alguns instantes pensei estar dentro do Maria Luiza às seis e pouco da tarde em São Paulo. A diferença, notável, era que os passageiros estavam pagando R$ 20,00 para fazerem o percurso de pé, cheias de bagagem. Eram famílias inteiras, com vó, mãe, pai e filhos pequenos.

Fiquei muito bravo com aquilo e comentei com o rapaz do lado o absurdo que era aquilo. Foi o suficiente para que a mulher atrás de mim começasse o que poderia ser chamada de "Revolução da Estrada":

- Oxi! Manda o motorista colocar esse povo no colo!

Ao que outra pessoa completou

- Topou aqui atrás, não cabe mais ninguém! Tá topado, se o motorista quiser, ele que leve todo mundo na frente com ele!

Daí em diante as manifestações foram ficando cada vez mais calorosas e engraçadas!

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