terça-feira, 4 de março de 2008

Ói, olhe o mal, vem de braços e abraços com o bem num romance astral !

Todos os dias, se observarmos bem, há coisas que chamam atenção por serem realmente pitorescas. Hoje de manhã, logo após sair de uma entrevista que fiz no Veirano aconteceu uma destas cenas.
Eu estava esperando o trem na estação Berrini sentado no meio de um pilar, suando em bicas por causa do calor na casa dos 30 ºC. Antes do trem parar, eu olhei pro lado e vi um rapaz empunhando uma câmera e, de repente de uma geringonça operada por um outro homem, começou a cuspir papéis coloridos no trem! Só isso seria suficiente, mas a cena digna de um filme do Mazzaropi ainda estava apenas ganhando os contornos mais rudimentares. A estação se transformou num circo, com direito a bandinha uniformizada e tudo! Eu estava no meio do picadeiro procurando o pessoal do Pânico na TV, porque - das duas uma - ou aquilo era bagunça de programa de TV ou algum tipo de picaretagem política. Entrei no vagão e li : "Este é o primeiro trem da expansão da linha férrea" , ou algo assim. Enfim, enquanto a bandinha tocava trompete e trombone, os "puxa sacos" distribuíam sorrisos para as câmeras e eu ia em bora.
Ainda não acredito no que vi O.o ! Estou no século XXI, mas a cena foi no mínimo caricatural ... como ver isso e não imaginar o velho coronel inaugurando um poço no árido nordeste ? Tragicômica a festa do vagão. E falo isso por causa do caráter inteiramente eleitoreiro da festa, porque quem grava tudo ali não era nehuma rede de tv, mas pessoal que vai usar a imagem depois em alguma das campanhas polícas que estão por vir.

Ói, ói o trem, vem surgindo de trás das montanhas azuis, olha o trem
Ói, ói o trem, vem trazendo de longe as cinzas do velho éon

Ói, já é vem, fumegando, apitando, chamando os que sabem do trem
Ói, é o trem, não precisa passagem nem mesmo bagagem no trem

Quem vai chorar, quem vai sorrir ?
Quem vai ficar, quem vai partir ?
Pois o trem está chegando, tá chegando na estação
É o trem das sete horas, é o último do sertão, do sertão

Ói, olhe o céu, já não é o mesmo céu que você conheceu, não é mais
Vê, ói que céu, é um céu carregado e rajado, suspenso no ar

Vê, é o sinal, é o sinal das trombetas, dos anjos e dos guardiões
Ói, lá vem Deus, deslizando no céu entre brumas de mil megatons

Ói, olhe o mal, vem de braços e abraços com o bem num romance astral

Amém.

(Raúl Seixas)

1 comentários:

mOnIk disse...

fico feliz por ter feito vc riri hehe
mas a sua história tbm foi engraçada viu....não seria gravação da novela das 6?? kkk
Abraços!